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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

ENTREVISTA DO P.C.A. DO HOSPITAL DE S. JOÃO - COMUNICADO CONJUNTO DOS SINDICATOS MÉDICOS

Os Sindicatos Médicos (SIM e SMN-FNAM) solicitaram uma reunião, com carácter urgente, ao Presidente do CA do H.S.João para esclarecimento do teor da entrevista concedida ao Jornal de Notícias, publicada no dia 4 de Janeiro último.
Segundo o Prof. Dr. António Ferreira a referida notícia é parte de uma longa entrevista concedida à jornalista Carla Soares.
O texto publicado, contudo, não traduz com rigor o sentir do Presidente do Conselho de Administração relativamente ao desempenho da generalidade dos profissionais, nomeadamente dos médicos, como aliás tem sido por si transmitido em comunicados internos e ressaltado de estudos de avaliação externa.
Perante os factos e a imagem difundida pelo artigo do jornal e respectivo título, o Presidente do Conselho de Administração disse ser sua intenção prestar esclarecimentos internos para que não restassem duvidas sobre as suas posições.
Não deixando de se mostrar preocupado com situações de absentismo, o Presidente do CA negou ser sua intenção recorrer a circuitos de televisão para controlo da assiduidade ou da produtividade dos profissionais.
Os Sindicatos fizeram notar ao Presidente do Conselho de Administração que a divulgação pública de dados do cadastro individual, como a assiduidade e seus motivos, bem como a produtividade, são de duvidosa legalidade quer em termos de Código de Trabalho quer em termos de Regime de Contrato de Trabalho em Funções Publicas.
Salientámos, também, que deve ser pelo aperfeiçoamento das vias de comando instituídas (UAG e Direcções de Serviço) e de processos de contractualização interna, que estas matérias devem ser resolvidas.
Relativamente à questão dos quartos particulares, foi-nos assegurado que os mesmos se destinam a doentes com indicação clínica específica ou a quem esteja disposto a pagar o diferencial de condições de alojamento, sem quaisquer outras vantagens relativamente aos doentes em geral nomeadamente na qualidade ou precedência do tratamento clínico.
O Presidente do CA fez questão de salientar que, à excepção das unidades de cuidados intensivos ou diferenciadas, o standard do hospital é ter três, duas ou uma cama por unidade de internamento.
Perante as informações prestadas, os Sindicatos admitem poder ter havido algum desvirtuamento das palavras do Presidente do Conselho de Administração na forma como a notícia foi publicada, lamentando as consequências que da mesma possam resultar para a imagem da Instituição.
Aguardam pois com expectativa os esclarecimentos que foram prometidos aos funcionários do Hospital para que se dissipem duvidas quanto aos intentos do Conselho de Administração em matérias de controlo da assiduidade e produtividade.
Deste mesmo comunicado darão conhecimento aos médicos e seus associados.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

BASTONÁRIO COMENTA AO "JORNAL DE NOTÍCIAS" A ENTREVISTA DO P.C.A. DO HOSPITAL DE S. JOÃO

Bastonário diz que analisar os actos clínicos em termos de números e produtividade é "uma loucura".
O anúncio de que o Hospital S. João vai divulgar as listas de assiduidade e produtividade dos seus funcionários não caiu nada bem na Ordem dos Médicos.
O bastonário diz mesmo que é "uma coisa absolutamente bizarra".
À semelhança do que acontece em outros sectores profissionais, o presidente do Conselho de Administração do Hospital de S. João, no Porto, anunciou, em entrevista ao JN, que iria divulgar internamente as listas de assiduidade e produtividade dos seus funcionários como meio de combater o absentismo e aumentar os índices de produtividade.
Apesar de ainda estar no papel, a medida já mereceu sérias críticas do bastonário da Ordem dos Médicos que diz que a Saúde é uma área específica que não pode reger-se por critérios económicos, senão podem ficar em cheque os direitos dos doentes.
"Perdemos a noção das proporções no que diz respeito à Saúde", disse Pedro Nunes ao JN.
"Não há maneira de analisar os actos médicos em termos de números e produtividade. Os economistas que acreditam nisto enlouqueceram. Não fazem ideia do que é o acto médico e estão a dar cabo do exercício da medicina e a pôr em causa os direitos dos doentes".
Segundo o bastonário, em Portugal, a Medicina era controlada e analisada pelos directores de serviço que eram responsáveis pelas suas equipas tendo em conta a qualidade e não a quantidade.
"Isto sempre funcionou e sempre tivemos uma Medicina de qualidade", recorda.
Na sua opinião, o problema começou quando a economia começou a ditar as regras no sector.
"De repente, para dar emprego a esta gente toda que sai das faculdades de Economia e que não faz a mais pequena ideia do que é o acto médico, criou-se uma perversão que está a destruir o Serviço Nacional de Saúde".
E, para Pedro Nunes, "o pior é que ninguém põe cobro a isto".
"A Ordem está muito interessada em que parem com tudo isto. Não para os médicos trabalharem menos, porque sempre trabalharam muito e vão continuar a fazê-lo, mas para que as pessoas possam ser bem tratadas e para que o dinheiro público não esteja a ser desperdiçado em coisas inúteis".
O bastonário também contesta a publicitação, ainda que internamente, das listas de assiduidade por uma questão de reserva da vida privada. "Ninguém tem nada que saber se faltei por estar doente ou não", exemplifica.
De acordo com Pedro Nunes, é o próprio administrador do S. João que reconhece que a instalação dos prontómetros não serviu para nada e não aumentou a produtividade porque as pessoas não trabalham mais ou menos pelo facto de porem lá o dedo.
"Já tínhamos dito exactamente a mesma coisa aquando da apresentação destes equipamentos. Até uma economista que foi ministra da Saúde - Manuela Arcanjo - disse que aquilo era um disparate.
Mas, mesmo assim, o ministro Correia de Campos, andou a comprar relógios de ponto para o país inteiro. E gastaram uma fortuna - ainda nem se sabe bem quanto - montaram-se prontómetros em todos os hospitais e o resultado foi zero".
O conceito de responsabilizar os trabalhadores pela sua assiduidade e produtividade perante os seus pares é uma ideia que já tinha sido aflorada no Hospital de S. João no início do mês passado.
Falando num seminário sobre gestão hospitalar, Zeinal Bava, administrador da PT, revelou que diariamente eram publicadas na rede interna da empresa os índices de produtividade de cada trabalhador e que isso tinha tido reflexos positivos no empenho dos funcionários.
António Ferreira, que também foi um dos oradores, terá gostado tanto da ideia que a decidiu colocar em prática no seu hospital.
Porém, a Ordem dos Médicos já revelou a sua discordância com a medida e a controvérsia está lançada.
Tiago Rodrigues Alves